Bem - Vindo ao Meu Espaço

Olá a todos!

Sou terapeuta da fala desde 2008 e desde então que exerço o que para mim é a melhor profissão do mundo!

Trabalho em diferentes contextos:

🏡Domiciliar (grande Porto);

💻Sessões por videochamada;

🏣Clínica;

Sou uma profissional em constante formação. Sou mestre em psicopatologia da comunicação e linguagem, pós-graduada em comunicação, linguagem e fala e formada nos 3 níveis de processamento auditivo central. Além disso, participo em várias formações de curta duração nas temáticas da linguagem oral e escrita, em perturbações dos sons da fala e autismo.

A minha grande paixão é a área da linguagem oral e escrita e por isso participo regularmente em formações para educadoras de infância e professores do 1º ciclo.

Neste blog poderá consultar os principais sinais que poderão requerer uma intervenção profissional, bem como os métodos e soluções atualmente utilizadas no âmbito da Terapia da Fala.

Se tiver alguma dúvida ou desejar marcar uma consulta de avaliação, não hesite em contactar-me. 📩

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Aprender a Falar



Não há duas crianças iguais, dizem educadores, pediatras e sabem os pais, tios e avós. Há miúdos que começam a andar mais cedo, outros que falam mais tarde. Reagir precocemente ajuda, quando aparecem os primeiros sinais de alerta.

A Marta foi a primeira filha, a primeira neta e a primeira sobrinha na família. Recebia todas as atenções e nunca teve dificuldade em fazer-se entender – mesmo quando, já depois dos dois anos, ainda não conseguia verbalizar bem o que queria. «Era uma criança rodeada de adultos que a compreendiam, muito apaparicada», conta a mãe, Helena Agostinho. «Toda a gente achava muita graça à forma como ela falava e dizia cui em vez de leite ou repetia totinho para pedir a história do capuchinho vermelho».

Helena corrigia sem grande sucesso as palavras da filha e ia recebendo do médico e das educadoras a mesma resposta: «Não se preocupe!». Só que o tempo foi passando, a Marta cresceu, teve que mudar de escola e integrar uma turma de meninos já com mais de três anos, e, um dia, a professora fez um comentário que fez soar o alarme. «Ela às vezes quer brincar a uma determinada coisa com os outros meninos, mas como não consegue exprimir-se, os outros desinteressam-se», contou-lhe.

Foi o suficiente para Helena Agostinho, que tem formação em Psicologia, marcar uma consulta de desenvolvimento no Hospital de Santo André, em Leiria, onde vive a família. O diagnóstico veio confirmar as suas suspeitas de que qualquer coisa não estava bem. A Marta compreendia tudo e não sofria de nenhuma perturbação cognitiva, mas tinha problemas na articulação dos sons e palavras: precisava de terapia da fala.

TERAPIA MAIS DO QUE DA FALA

A terapia da fala pode ser útil em qualquer idade e é utilizada com objectivos tão diferentes como o desenvolvimento do instinto de sucção de um bebé prematuro, a promoção da comunicação numa criança com autismo ou a recuperação da fala de um adulto que sofreu um AVC. Abrange áreas muito diversas. «O terapeuta intervém ao nível da linguagem, da fala, da voz, da motricidade orofacial e das dificuldades de aprendizagem de leitura e da escrita», explica Ângela Nogueira, terapeuta no centro Diferenças, em Lisboa.

Nas crianças, as dificuldades no desenvolvimento da linguagem (compreensão e expressão) podem mostrar-se muito cedo – aos seis meses, um bebé já deverá reagir aos sons e ao contacto ocular (ver quadro anexo). Mas é sobretudo a partir dos dois anos que incidem as preocupações paternas, por ser nessa altura que a maioria dos miúdos inicia a verbalização e a pressão social começa a fazer-se sentir. «O que é que ele já diz?», perguntam todos.

«Em média, as crianças dizem as primeiras palavras aos 18 meses. Começam por mamã, papá, agum ou aba para água, etc.... sabem o nome do ursinho ou o nome da avó, do cão, do gato», confirma a terapeuta da fala Jaqueline Carmona, do CADIN, Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, em Cascais, especializada em casos de disfluência (gaguez). Fala-se, contudo, no desenvolvimento considerado típico com base em dados estatísticos. «Não há dois irmãos que falem igual, nem sequer dois irmãos gémeos», alerta a terapeuta.

Os miúdos evoluem de uma forma progressiva, mas nem sempre linear. «É muito vulgar surpreenderem-nos, especialmente quando há uma interrupção, mesmo curta como acontece na Páscoa. Às vezes, basta uma mudança de ambiente, uns dias com os pais, para darem um salto, desabrocharem», garante a educadora de infância Ana Paulino Jorge. Além disso, «em termos de desenvolvimento linguístico, estar seis meses atrás do esperado não é grave», acrescenta Jaqueline Carmona. Por isso, nem sempre é fácil saber quais são os sinais de preocupação e como e quando se deve agir.

PREGUIÇA OU PROBLEMA?

O Manuel, hoje com seis anos, foi desde bebé um miúdo muito dado, sem qualquer problema em fazer-se entender, no diálogo com os crescidos ou com outros miúdos. Aos dois usava um vocabulário próprio e utilizava com mestria e graça sons e gestos para comunicar – e assim continuou até perto dos quatro anos.

A mãe, Ana Alcoforado, dava o benefício da dúvida e esforçava-se por acreditar no que todos lhe diziam: «vai ver que, de um dia para o outro, ele começa a falar». Mas manteve-se atenta. «O Manuel não era um miúdo que aumentasse o som da televisão para ouvir melhor, eu não precisava de o chamar duas vezes e não tinha indícios de abstracção ou isolamento perante a realidade», explica. Um encefalograma e os testes de otorrino nada apontaram e foi por sugestão da directora do colégio que frequenta, em Sintra, que o Manuel fez a primeira avaliação e iniciou a terapia da fala aos três anos e meio. Na consulta de pediatria dos quatro anos confirmou-se que o Manuel estava a ter problemas na aquisição linguística, foi a uma consulta de desenvolvimento e passou a ser acompanhado pela terapeuta Ângela Nogueira no centro Diferenças. «Estas consultas deviam fazer parte do plano nacional de saúde, até para os pais saberem quando devem preocupar-se ou não», diz hoje Ana Alcoforado. «A preguiça às vezes serve de desculpa para coisas a mais», lamenta.

A reacção do Manuel à terapia, que incluía apoio psicopedagógico, foi imediata. «O salto foi gigantesco neste último ano e meio», garante a mãe. Toda a família se envolveu nos trabalhos de casa e treino dos exercícios sugeridos pela terapeuta – sempre com entusiasmo, bom humor e «sem fazer disso um cavalo de batalha», para evitar a saturação. O Manuel iniciou em Setembro o primeiro ciclo do ensino básico e não sabe ainda quando terminará a terapia da fala. «Ele tem também um palato pequenino e um pragmatismo ligeiro que vai ser corrigido com um aparelho. Se não fosse isso, penso até que já teria tido alta antes», diz Ana.

SINAIS DE ALARME

«A aquisição tardia da linguagem e a prevalência de produções verbais incorrectas (erros na articulação dos sons, omissão de sílabas na palavra, etc) podem ter consequências nas futuras aprendizagens escolares da leitura e da escrita», afirma a terapeuta Ângela Nogueira. Adriana Vieira, professora do primeiro ciclo do ensino básico concorda. «A maioria dos casos é sinalizada no ensino pré-escolar. Mas há miúdos que se perdem em burocracias [uma consulta de desenvolvimento no serviço público pode demorar três a seis meses], outros que os pais acham que é mimo ou tique de fala até chegarem ao primeiro ciclo e perceberem que o problema está a comprometer a leitura», explica.

«Há uma variabilidade individual, mas é muito importante que a família, os professores e pediatras valorizem as idades normais para uma determinada aquisição linguística», diz Ângela Nogueira. Até porque, sublinha Adriana Vieira, os atrasos no desenvolvimento da linguagem graves acabam por afectar a relação social da criança, por prejudicar a sua auto-estima e chegam a levar a comportamentos desviantes para chamar a atenção. «Não conseguir comunicar é muito complicado. É como cair na China de repente e querer dizer alguma coisa sem saber chinês», exemplifica Jaqueline Carmona.

«No desenvolvimento da linguagem, a criança passa por várias etapas em diferentes idades, adquirindo novos conhecimentos linguísticos», lembra Ana Mafalda Filipe, terapeuta da fala do projecto Crescer e Aprender, localizado em Oeiras. Os sinais de alerta surgem quando um miúdo se mantém demasiado tempo na mesma etapa sem conseguir avançar.

Aos dois anos, poderá ser preocupante a criança não falar, só produzir vogais, não usar ainda palavras ou frases simples, não nomear, não usar gestos. Aos três, a incapacidade de produzir uma frase, compreender um recado ou desenvolver um conceito numérico pode ser problemática – mas ainda não é exigível que pronuncie correctamente os «lhe» e os «r», por exemplo. E um discurso ininteligível ou a dificuldade em iniciar uma frase ou repetir sílabas, já com quatro anos feitos, pode significar necessidade de terapia.

UM CASO EXEMPLAR

Maria do Carmo Vale, pediatra, considera que «a partir dos dois, três anos, mesmo que a criança mostre entender o que lhe dizem e se expresse gestualmente, deve ser avaliada por um terapeuta» para confirmar se existe imaturidade ou não. «É importante frisar que o diagnóstico precoce é fundamental e se existem dúvidas é sempre melhor fazer uma avaliação para as conseguir esclarecer do que ignorá-las», reforça Ana Mafalda Filipe. Nem sempre é fácil, como bem sabe Helena Domingues, que se multiplicou em pesquisas e consultas para ajudar o filho David, hoje com nove anos. Mas o resultado pode ser deveras compensador.

O David começou por dizer mamã e papá e, um dia, deixou de falar. Era um miúdo carregado de frustração, que chorava muito, fazia birras, tinha crises de agressividade, passou por fases em que recusava a comida e gritava sempre que alguém o fazia entrar num restaurante ou num autocarro cheio de gente. Só o nunca desviar o olhar e as comprovadas tentativas de comunicação afastavam o diagnóstico de autismo.

Às consultas de pedopsiquiatria, juntaram-se duas horas semanais de psicomotricidade e de terapia da fala – aos três anos. «O David fez um ano de terapia sem dizer uma palavra, mas isso não queria dizer que o seu cérebro não estivesse a aprender os mecanismos da fala. Um dia, ele disse uma palavra, depois outra», conta a mãe emocionada. E foi ficando mais concentrado, mais receptivo.

Helena deixou de trabalhar – fazia só umas horas numa loja de brinquedos quase como terapia – para poder acompanhar o David na sua super ocupada rotina e ao mesmo tempo dar atenção aos dois filhos mais velhos, um deles hiperactivo. Não foi fácil e monetariamente as opções que foi tomando têm sido pesadas – «mesmo com as comparticipações do seguro, acho que dava para comprar um carro todos os anos», diz com um meio sorriso. Mas «esta é uma fase muito importante de um filho, em que se tem de fazer tudo o que possa ser feito. Existe um período biológico para se aprender a falar, há um prazo de validade e quanto mais tarde se começa a trabalhar, pior», repete. Sente-se realizada com o facto de o David, que é medicado e faz terapia de fala semanalmente, ser um miúdo feliz, aluno de Bom e Muito Bom. E é com um riso genuíno que reage à frase que o David diz com humor de cada vez que se engana numa frase: «Ai, este cérebro estúpido que não sabe dizer esta palavra bem!».


COMO FALA O MEU FILHO?

Do nascimento aos 6 meses
 O seu bebé reage a sons, olha e/ou move a cabeça em direcção ao som
 Produz sons
 Fale com o seu bebé de modo calmo e carinhoso
 Cante para ele
 Explique-lhe os sons que ouve
 Nomeie as pessoas familiares e os objectos que o rodeiam
 Converse com ele sobre o que está a fazer

Procure ajuda
 Observe se o seu bebé reage a sons, se não consulte o seu médico
 Procure ajuda se ele evita o contacto ocular – base da comunicação

Aos 12 meses

 Compreende ordens simples
 Diz ‘mamã’ e ‘papá’
 Responde ao seu nome
 Brinque com a sua voz, o seu bebé irá gostar: a melodia da fala ajuda-o a compreender e a desenvolver a linguagem de modo efectivo.
 Ajude o seu bebé a descobrir o prazer da comunicação: incentive todo o tipo de interacção – fazer caretas, sorrir, rir, olhar…
 Nesta fase do desenvolvimento a TV não tem qualquer valor para um bebé
 Não o deixe à frente da TV durante muito tempo, não promove a comunicação!

Procure ajuda
 Se o seu filho não disser algumas palavras
 Se o seu filho apenas comunicar com gestos e mímica
Aos 18 meses
 Compreende instruções simples
 Nomeia objectos familiares
 O vocabulário aumenta
 Fale com o seu bebé, utilize palavras e frases simples, mas não infantilizadas
 Mostre-lhe livros e fale com ele sobre os mesmos
 Estimule o interesse por cores e formas

Procure ajuda
 Se o seu filho deixar de falar
 Se a sua linguagem parar de se desenvolver
 Se revelar sinais de deterioração

Aos 2 anos
 Compreende instruções complexas
 Diz o seu nome
 Faz frases de 2-3 palavras
 Enriqueça o seu vocabulário
 Explique-lhe as palavras que desconhece
 Repita as palavras que ele não pronuncia, mas não lhe peça para repetir

Procure ajuda

 Se tem a sensação que o seu filho não a compreende
 Se o seu filho disser apenas algumas palavras
 Se o seu discurso for ininteligível
 Se não produzir frases de 2 palavras

Aos 3 anos
 Compreende frases simples, pequenas histórias
 Faz perguntas
 Utiliza alguns plurais e preposições
 Ensine o seu filho a contar histórias, ajude-o a entender os seus pensamentos e sentimentos
 Encoraje-o a deixar de usar o biberão e/ou chupeta

Procure ajuda
 Se a fala permanece ininteligível
 Se usa apenas alguns verbos e não produz artigos e adjectivos
 Se não utiliza plurais
 Se não constrói frases simples

Aos 4 anos
 A fala do seu filho é ‘semelhante’ à do adulto em termos de gramática
 Leiam histórias em conjunto, à vez vão
contando a história, deste modo estimula
uma atitude positiva para com a linguagem
e para com a leitura
 As crianças seguem exemplos, deixe que
ele a veja ler

Procure ajuda
 Se para o seu filho é difícil iniciar uma
frase ou repetir sílabas/palavras
 Se constrói apenas frases curtas,
mal estruturadas
 Se o seu discurso nem sempre é inteligível
 Se ele não for capaz de recontar acontecimentos


Revista: Pais e filhos
http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/2178-aprender-a-falar?fb_action_ids=10201220612189720&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B673510622668425%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Consciência fonológica e a sua importância na leitura e escrita


O que é a consciência fonológica


Para Sim-Sim a consciência fonológica é o “conhecimento que permite reconhecer e analisar, de forma consciente, as unidades de som de uma determinada língua, assim como as regras de distribuição e sequência do sistema de sons dessa língua.”Em contraste com as atividades de falar e de ouvir falar, a consciência fonológica implica a capacidade de espontaneamente prestar atenção aos sons da fala e não ao significado do enunciado”. (Sim-Sim., 1998, pp.225)
A CF é uma capacidade cognitiva que se desenvolve gradualmente e que culmina com a tomada de consciência de que a fala pode ser segmentada nos seus diferentes constituintes, palavra, sílaba e fonema. (Pestun, 2005) 
Apesar das diferentes definições de CF descritas na literatura, parece consensual que a CF diz respeito à consciência de que a linguagem falada pode ser dividida em várias unidades, isto é, que as frases podem ser divididas em palavras, de que as palavras se decompõem em silabas e as silabas em fonemas. As crianças começam a ter capacidades na realização de tarefas mais simples como a segmentação frásica e silábica, sendo que esta capacidade vai evoluindo  abrangendo as capacidades de reflexão (constatar e comparar, ex. identificação de silabas iguais, rimas) e de manipular (omitir e transpor silabas e fonemas).

Desenvolvimento da Consciência fonológica

  • Dos 3 aos 4 anos, a crianças segmentam palavras em silabas (2/3 silabas), identificam rimas e alterações;
  • Aos 4 anos, as crianças realizam segmentam palavras maiores e frases;
  • Aos 5 anos, as crianças realizam omissão e manipulação de silabas e começam a ter noção do fonema;
  • Aos 6 anos, as crianças são capazes de realizar a maioria das atividades, embora ainda tenham algumas dificuldades ao nível da realização de tarefas fonémicas 

  • Consciência fonológica e aprendizagem da leitura e escrita

O código do português utiliza o princípio alfabético da escrita, isto é, estabelece-se uma correspondência entre as unidades mínimas da fala (fonema) e os grafemas (letras), portanto baseia-se na relação fonema/ grafema, a qual se estabelece através da reflexão dos sons da fala e a sua relação com os grafemas, o que, por sua vez, requer o acesso à CF. (Alves e Freitas, 2007) 

A escrita implica uma reflexão consciente sobre as características da escrita, dos grafemas e dos fonemas. Assim, o domínio do princípio alfabético, por parte da criança, requer o reconhecimento da relação fonema/grafema, a capacidade de segmentação fonémica e de análise, reflexão e síntese das unidades fonémicas que constituem as palavras faladas. (Tunner, Pratt, & Herriman, 1984).

O desenvolvimento da consciência fonológica encontra-se intimamente relacionado com a aprendizagem da leitura e da escrita, por isso é necessário promover esta competências até à entrada no 1ºciclo, para prevenir dificuldades futuras no processo de aprendizagem da associação grafema-fonema (leitura) e fonema-grafema (escrita) (Sim-Sim, 1998).

Por isso é de extrema importância que os pais e educadores de infância estimulem esta competência de forma a prevenir dificuldades na posterior aprendizagem da leitura e escrita. Também é importante estarem atentos a dificuldades apresentadas pelas crianças, especialmente se além das dificuldades ao nível da consciência fonológica  ainda se verificarem alterações na produção de sons (alterações articulatórias), pois estas crianças terão maior probabilidade de futuramente apresentarem dificuldades de leitura e escrita. 

Sinais de alerta

Idade pre-esolar

  • Fala tardia;
  • Dificuldades em memorizar canções, histórias, lengalengas, rimas...;
  • Alterações articulatórias;
  • Dificuldades em realizar segmentação silábica;
1º ano de escolaridade 
  • Dificuldades em realizar segmentação silábica e fonémica;
  • Dificuldade em discriminar sons parecidos (k/g, v/f, j/ch...)
  • Dificuldade em adquirir o sistema alfabético (som-letra);
  • Erros na leitura e escrita de sons semelhantes; 



terça-feira, 9 de julho de 2013

Trissomia 21 e a linguagem


O Trissomia 21 é uma patologia (alteração) congénita que causa um atraso no desenvolvimento físico e inteletual, podendo aparecer em qualquer família, em pais de qualquer faixa etária, raça, religião ou estrato social, tanto no primeiro filho como em irmãos (Lapa, 2002).

Na fase da divisão celular, quando se distribuem os cromossomas, uma das duas novas células recebe um cromossoma n.º 21 extra, e as outras células não. Todos os outros pares de cromossomas distribuem-se correctamente, excepto o par 21. Esse erro de distribuição cromossómica pode ocorrer em qualquer célula, na época da sua divisão. A gravidade e as consequências deste dependerão da época em que ele ocorre, pois todas as células derivadas de uma célula com Trissomia 21, isto é, com 3 cromossomas do par 21, terão também Trissomia 21. (Lefére, 1981)

 A Trissomia 21 pode resultar de vários fatores como a idade da mãe superior a 35 anos, fatores hereditários, processos infecciosos como a hepatite a rubéola, administração indevida de fármacos, entre outros.

Características Físicas
  • Olhos com posição oblíqua
  • Cara redonda
  • Protrusão da língua
  • Atraso na erupção dentária
  • Mandíbula pequena
  • Pescoço curto
  • Hipotonia muscular
  • Orelhas pequenas
  • Mãos e pés largos com dedos curtos
  • Espaço entre o 1º e 2º dedo
  • Pele cianosada
  • Baixa estatura
 Características Cognitivas

As crianças com Trissomia21 comparadas com outras crianças portadoras de deficiência mental apresentam maiores défices em aspectos como:

·         Capacidade de discriminação visual e auditiva (principalmente quanto à discriminação da intensidade da luz);
·         Reconhecimento táctil em geral e de objetos a três dimensões;
·         Cópia e reprodução de figuras geométricas;
·         Rapidez perceptiva (tempo de reacção).

Dificuldades na Linguagem
Está provado que o desenvolvimento da linguagem em crianças com Trissomia 21 sofre um atraso considerável relativamente às outras áreas de desenvolvimento. Por outro lado, existe um grande desajustamento entre os níveis compreensivo e expressivo. (Santos, 1991)


Ao nível da Compreensão, a evolução de uma criança com Trissomia 21 é paralela à de uma criança “normal”, embora atrasada em relação ao tempo e dificultada pelos défices que apresentam em aspectos particulares da organização do comportamento. Ao nível da Expressão, estas crianças são frequentemente afectadas por dificuldades respiratórias (a má organização do processo de respiração que, muitas crianças com deficiência mental apresentam, agrava-se nas crianças com Trissomia 21, pela frequente hipotonicidade e fraca capacidade para manter e prolongar a respiração), perturbações fonatórias (implicam alterações no timbre da voz, que aparece grave, de timbre monótono, por vezes gutural), perturbações da audição (os estudos feitos indicam uma incidência de perdas auditivas que variam de ligeiras a moderadas, pelo que a capacidade auditiva, sem estar gravemente alterada é inferior ao normal), perturbações articulatórias (produzidas pela confluência de vários factores: hipotonia da língua e lábios, malformações do palato, inadequada implantação dentária, imaturidade motora, etc.) e pelo tempo de latência da resposta demasiado prolongado (Cuberos et al, 1993).

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Perturbação fonética vs Perturbação fonológica


Uma das perturbações mais comuns em crianças são as alterações na produção dos sons da fala (fonemas). Esta é principal causa que leva os pais a uma avaliação do seu filho em Terapia da fala. Muitas vezes a criança com 4/5 anos apenas omite o fonema /l/ (lápis, papel, cola), noutros casos a criança substitui e omite muitos fonemas o que torna o seu discurso ininteligível.
Existem dois tipos de perturbações que as crianças ou mesmo adulto não articulam corretamente os sons da língua, que muitas vezes são confundidas e na realidade têm tempo de intervenção muito diferentes.

 Perturbação fonética
Neste tipo de perturbação os erros que os pacientes cometem são consistentes, isto é, ocorrem sempre da mesma forma, são previsíveis (ex. a criança nunca articula o som /l/.. ou distorce o som /s/).
O paciente apenas apresenta dificuldade em articular determinados fonemas. Pois ele sabe que o fonema existe mas não o consegue articular corretamente. Muitas vezes estas dificuldades articulatórias têm uma origem anatómica, isto é, as estruturas fonoarticulatórios apresentam alguma alteração (má oclusão dentaria, freio da língua curto). Nesses casos é bom perceber qual é o problema que está subjacente ao problema articulatório. Mas nem em todos os casos de perturbação fonética existe alguma alteração a nível anatómico.
Estas perturbações normalmente têm um tempo de intervenção mais rápido, pois o paciente tem consciência do som, só necessita de aprender a articula-lo corretamente e depois automatizar no seu discurso espontâneo.
Atualmente, acompanho 2 pacientes com este tipo de perturbação, num dos casos a criança tem 6 anos e não articula o fonema /r/ em nenhuma posição da palavra (cara, comer, prato, carne). Portanto, omite este som o que faz que também omita este som quando está a ler um texto, foi neste momento que o ‘professor percebeu e indicou que a criança tivesse intervenção em Terapia da Fala. Neste caso a criança deveria ter iniciado a terapia antes de ter iniciado o ensino básico.

Perturbação fonológicos
Considera-se uma perturbação fonológica quando os erros que o paciente apresenta não são consistentes, isto é, quando não ocorrem sempre da mesma forma. (diz /saca/ em vez de /faca/ e diz /cama/ em vez de /fama/, por isso não articula o som /f/ mas substitui o /f/ por sons diferentes).
A perturbação fonológica é considerada um problema de linguagem, manifestado pelo uso ina­dequado, observado na fala, das regras fonológicas características do sistema usado pelos falantes adultos da língua. Uma alteração na aquisição fonológica indica dificuldades potenciais a diversos níveis, como a discriminação de sons, o reconhecimento de contrastes fonológicos (ex. f/v) e das representações desses contrastes no léxico (ex.faca/vaca), a modi­ficação dos sons que são padrões na fala, em razão do uso inadequado das regras fonológicas e a arti­culação imprecisa, entre outros fatores.
A perturbação fonológica é manifestada pela severidade e ininteligibilidade da fala em graus va­riáveis, causada por problemas de fala com indi­cação de terapia da fala.

Características fonológicas

A maioria das crianças com distúrbios fonológicos têm um sistema fonológico semelhante ao das crianças que não têm este problema, em alguns casos também podem apresentar processos fonológicos que não são observados regularmente durante o desenvolvimento. É preciso destacar que se espera uma certa sequência e velocidade no desenvolvimento fonológico, embora cada criança desenvolva a sua linguagem de uma forma particular.
Muitas vezes, as crianças com este tipo de perturbações têm um sistema fonológico que obedece a regras que nem sempre são as previstas na língua. Portanto, possuem várias limitações no uso das re­gras fonológicas e não formam um grupo unifor­me. A maior parte das crianças com distúrbio fonológico usa processos fonológicos semelhantes aos da criança em desenvolvimento típico, mas também pode usar processos únicos e que não são comuns no desenvolvimento. O uso de processos idiossincráticos (não obser­vados no desenvolvimento típico) pelas crianças com distúrbio fonológico é pequeno tanto no número de ocorrências quanto no número de crianças que o apresentam. Além disso, os sujeitos que utilizam pro­cessos fonológicos idiossincráticos fazem- no de forma conjunta com os processos fonológicos de desenvolvimento.
Uma das principais preocupações dos terapeutas da fala é a grande possibilidade das crianças com diagnóstico tardio de perturbação fonológica apresentarem dificuldades no processo de alfabetização. O encaminhamento precoce para o terapeuta da fala diminui o risco de ocorrência de dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita, as quais estão diretamente relacionadas ao processamento fonológico, que envolve a consciência fonológica.
Atualmente, acompanho diversos casos de perturbações fonológicas, sendo que umas são bastante mais graves que outras. Nestes casos as crianças normalmente conseguem articular corretamente todos os sons do Português, mas não os utilizam no local correto. O exemplo de algumas palavras de uma criança que acompanho com 5 anos /neca/ em vez de /mesa/, /paiaco/ em vez de /palhaço/, /choada/ em vez de /joana/, /nado/ em vez de /dado/, /naiz/ em vez de /nariz/, /gato/ em vez de /rato/….).


Normalmente o tempo de acompanhamento terapêutico é bastante mais prolongado em crianças com este diagnóstico comparativamente com as crianças com perturbações fonéticas. Isto acontece porque na intervenção é necessário trabalhar a reeducação so sistema fonológico (exercícios de discriminação auditiva, memória auditiva, consciência fonológica) e depois é necessário um processo de automatização dos fonemas nos locais corretos. 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Atuação do Terapeuta da fala em crianças surdas



A surdez é uma condição de privação sensorial que mesmo sendo detectada precocemente por especialistas, acarreta uma restrição no desenvolvimento da criança, tanto no que se refere aos aspectos afectivos (com a mãe) e sociais (informações do meio em que vive), como também nos seus aspectos linguísticos (falta ou demora na aquisição de uma língua), levando a prejuízos nos processos de integração social, comunicação e no próprio desenvolvimento de linguagem. O atraso de linguagem por sua vez, pode levar a dificuldades em determinadas áreas da cognição, de aprendizagem e nas suas relações sociais e emocionais.

Os diferentes graus de perdas auditivas (leve, moderada, severa e profunda), são necessariamente factores determinantes em relação às consequências no desenvolvimento da criança e obrigarão à actuação do terapeuta da fala.

O papel do terapeuta da fala em relação à criança deficiente auditiva abrange tanto a área da saúde como a área educacional.

Os principais objectivos da terapia da criança surda visam o desenvolvimento da língua oral (englobando fala e voz) e a aquisição da linguagem, levando-se em conta o facto da surdez ter surgido no período pré ou pós linguístico. Sabendo-se disto, serão definidos mais especificamente os objectivos da terapia com a pessoa portadora de deficiência auditiva.
Verificam-se as seguintes alterações:
Voz
Alteração das qualidades vocais pela ausência de feed-back auditivo.
 
Fala
Alteração miofuncional dos órgãos fono-articulatórios, ocasionada pelo pouco ou nenhum uso destes para a fala, prejudicando desta forma a produção adequada dos fonemas da língua oral.

Linguagem
Atraso dos processos linguísticos e/ou cognitivos devido a falta ou demora na exposição e aquisição de uma Língua.


O Planeamento Terapêutico deve ter os seguintes aspectos fundamentais:
  • Educação auditiva: Detecção, discriminação, memória e análise e síntese auditiva dos diferentes sons, com utilização do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI);
  •   Articulação: Desenvolver actividades que pretendam desenvolver a percepção fonémica/fonológica da língua oral através de estímulos auditivos, visuais, tácteis, cinestésicos e o desenvolvimento da leitura oro-facial, de acordo com a metodologia;
  •  Voz: Proporcionar um melhor controlo e produção oral através da adequação do registo vocal, timbre, intensidade e duração da vocalização;
  •  Linguagem: A estimulação da fala e da linguagem deve ser vivenciada em situações contextualizadas, interessantes para o surdo e nas quais seja privilegiada a função e o uso da Língua Oral;


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sugestões para melhorar a comunicação nos doentes de Parkinson


Para o doente

  • Coordene a respiração coma a voz;
  • Tente falar alto;
  • Procure articular melhor as palavras;
  • Cante;
  • Ria;
  • Faça exercícios com com a língua, lábios e queixo;
  • Faça caretas em frente ao espelho;
  • Postura adequada: procure falar de frente para a pessoa;
  • A expressão facial ajuda a transmitir a mensagem: mantenha a cabeça erguida sem esticar demais o pescoço, mantenha as costas direitas e ombros não devem ficar arqueados para a frente;
  • Converse diariamente;
  • Leia em voz alta diariamente durante 3-5 minutos mantendo uma boa coordenação respiração/voz;
  • Use métodos alternativos de comunicação se necessários;
  • Diariamente, descanse o quanto necessita e sempre que esteja cansado;
  • Beba muita água,
  • Evite pigarrear;,
  • Os exercícios devem ser diários; 

Para o familiar/ cuidador
  • Tenha disponibilidade e seja tolerante, porque a fala é lenta e requer um grande esforço. Mostre à pessoa que lhe dá tempo para dizer o que quer;
  • Se não compreender o que ele diz, não faça que está a perceber;
  • Não peça para a pessoa dizer frases complicadas e compridas, porque cansam as pessoas com disartria;
  • O ambiente deve estar sossegado;
  • Não fale ao mesmo tempo nem a interrompa;
  • Repita a parte da mensagem que conseguiu perceber para que a pessoa não tenha que repetir tudo outra vez;
  • Não tenha receio de pedir que uma mensagem seja repetida. Se necessário peça uma palavra de cada vez, ou a pessoa lhe diga as letras de uma dada palavra;
  • Ria e dê boas gargalhadas em conjunto com a pessoa com doença de Parkinson; 
Revista da associação portuguesa de doença de Parkinson

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Terapia da Fala na doença de Parkinson


A intervenção do terapeuta da fala na doença de Parkinson é  uma opção terapêutica na medida em que a fala e a deglutição são capacidades que dependem da acção conjunta de vários músculos. O objetivo geral da terapia é maximizar a comunicação funcional do paciente e a manutenção da inteligibilidade da fala. 

Nestes doentes existem alterações a diferentes níveis: articulação verbal, voz, mastigação, deglutição e motricidade orofacial. 

Na articulação verbal estes pacientes apresentam imprecisões articulatórias, isto é os sons da fala não são executados de uma forma correcta, pois os movimentos dos orgãos da fala não são controlados. O treino articulatório é importante para melhorar as condições funcionais
da musculatura que intervêm na articulação da palavra, contribuindo para melhorar a produção dos fonemas (sons).

Os pacientes com Parkinson apresentam frequentemente uma voz com as seguintes características: soprosa, rouca, monótona, de baixa intensidade e grave. Os objectivos do terapeuta da fala na reabilitação vocal são os seguintes: propiciar uma voz agradável, aumentar a projeção vocal tornando a voz mais audível, controlar o ritmo e entoação. Além disso, a coordenação da respiração também tem um papel fundamental para a melhoria da qualidade vocal. 


Além das alterações de comunicação alguns pacientes manifestam alterações de sucção, mastigação e deglutição. As principais alterações são: lentidão ou dificuldade na mastigação,  escape de saliva (baba), episódios de engasgamento durante a alimentação. 

O trabalho do Terapeuta da Fala nos doentes com Parkinson tem grande importância para estes manterem uma melhor qualidade de vida. Este profissional pode intervir tanto nos problemas de comunicação, como nos de deglutição decorrentes desta patologia. A intervenção nestes doentes é importante que seja realizada de forma precoce, quando ocorrem os primeiros sinal de alterações de comunicação e deglutição. 



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Estratégias para promover a comunicação em crianças austistas




Estratégias para promover a comunicação em crianças autistas
  • Evite perguntas diretas;
  • Dê resposta a todas as tentativas de comunicação; espontânea;
  • .Espere e demonstre. Torne-se o modelo;
  • Use gestos e expressão facial de forma abundante;
  • Use a prosódia de forma exagerada (entoação, volume, ritmo do discurso);
  • Crie situações comunicativas, com múltiplas;
  • Oportunidades para comunicar e praticar;
  •  Reduza a complexidade da linguagem;
  •  Procure e incentive o contacto visual;

Outras estratégias para a intervenção:
  • Objeto preferido fora do alcance;
  • Instrução errada;
  • Material incompleto para completar a tarefa;
  • Material da tarefa com defeito;
  • Material errado para a tarefa;
Tony Attwood



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A importância do período pré-linguístico



O primeiro ano de vida do bebé representa um período muito importante para o desenvolvimento da linguagem, embora durante ele a criança possa não ter ainda pronunciado uma única palavra. Este período que alguns autores designam de pré-linguístico tem a função de estabelecer toda uma rede de pré-requisitos fundamentais para que a criança possa mais tarde usar a língua materna. É no período pré-linguístico que se desenvolve a intencionalidade comunicativa, sendo que esta é um pré-requisito essencial para o desenvolvimento das competências de interacção, de comunicação e consequentemente para a aquisição e desenvolvimento da linguagem.

O período pré-linguístico representa não só uma fase essencial do desenvolvimento como a única fase reconhecida como sendo universal no desenvolvimento linguístico da criança. Isto significa, por um lado, que é uma fase mundialmente descrita nos mesmos parâmetros, independentemente dos códigos linguísticos e das culturas pertencentes aos inúmeros países. Isto também significa que um bebé surdo de nascença, passará por esta fase de desenvolvimento praticamente nos mesmos moldes. Além disso, esta é a fase onde se notam menos diferenças interindividuais.

O processo de discriminação auditiva inicia-se muito precocemente quando o bebé com poucas semanas já é capaz de distinguir a voz da mãe das restantes vozes humanas.
Nas primeiras oito semanas de vida, o recém-nascido tem a sua comunicação extremamente reduzida. Ele só tem à sua disposição o choro reflexo, já que é através dele que terá as suas necessidades atendidas pelos pais, seja o frio, a fome, a dor, etc. Este comportamento é desprovido de qualquer tipo de intencionalidade, tratando-se apenas de actos reflexos, no entanto, a mãe sobreinterpreta essa intenção. O bebé chora porque tem fome, dor ou desconforto, no entanto, não o faz com o intuito de afectar os outros, ou seja, é desprovido de intencionalidade (Yoder et al, s/d). Deste modo é de salientar a importância das respostas contingentes por parte da mãe, pois permite ao bebé começar a perceber que os seus comportamentos produzem uma reacção na mãe.

Para além do choro, o bebé produz sons vegetativos ou guturais (sons fisiológicos), nomeadamente, espirros, soluços, suspiro, tosse, e.t.c. Estes sons estão intimamente ligados às funções básicas de vida e incluídos como parte integrante de rotinas repetidas frequentemente ao longo do dia. Eles podem igualmente como o choro, serem objecto de interpretação, ou seja, serem descodificados como portadores de uma mensagem reflexa. Tanto os sons guturais como o choro preparam os órgãos fonoarticulatórios à passagem do ar, o que tem um aspecto estimulante na futura produção da fala.

Da oitava à vigésima semana, o bebé torna-se mais responsivo, ou seja, menos reflexo. Ele começa a saber manifestar a sua satisfação, o seu bem-estar, o seu gosto pela companhia dos seus interlocutores. Nesta fase é possível observar-se os primeiros sorrisos e produções caracterizadas por sons muito semelhantes aos arrulhos dos pombos, o chamado palreio, o que consiste numa cadeia de sons vocálicos, particularmente sequências de [o], e sons consonânticos, principalmente [g] e [k].
Tanto o sorriso como o palreio representam um passo significativo no processo interactivo. Com efeito, é por meio do palreio que se manifesta o domínio da regra básica da interacção comunicativa, denominada pegar a vez ou turn-taking, começando assumir um papel activo na comunicação, tomando a sua vez, interpretando o seu papel e aprendendo que cada um tem um papel complementar.

Nesta fase a mãe deve assegurar que a sua interpretação dos sons produzidos pelo bebé corresponda verdadeiramente ao estado de espírito de bebé. Uma interpretação concreta da parte do adulto leva o bebé a sentir-se compreendido, a ter confiança na eficácia da sua comunicação e a ter padrões de expressão que ele poderá também descodificar e compreender pouco a pouco nos outros. Nesta etapa as rotinas diárias são muito importantes, pois vão fornecer as bases para a primeira aprendizagem semântica. Não é que o bebé vá logo produzir ao nível semântico, mas vai ter oportunidade de atribuir, através do adulto, uma primeira denominação dos objectos que a rodeiam.

Ao palreio segue-se a transição para a lalação. Esta transição é caracterizada pela produção de segmentos silábicos isolados em que o som vocálico ou consonântico são exageradamente prolongados e acompanhados de variações de intensidade e tom. Trata-se de uma espécie de jogo que exige algum controlo vocálico, prepara a vocalização
Dentro da lalação o balbucio é uma fase muito importante que se inicia por volta do quinto, sexto mês e que permanece até ao oitavo ou nono mês. Nesta fase o bebé inicia o processo de imitação de sons. O balbucio não é uma verdadeira forma de linguagem, uma vez que não possui o propósito de comunicação, mas uma actividade lúdica no nível sensório-motor. Nesta fase a criança ainda não tem a intenção de comunicar.

A estrutura reduplicada consoante/vogal, caracterizada da lalação, dá lugar a produções de não reduplicação. A partir desta altura as produções do bebé aproximam-se cada vez mais de palavras, registando-se, em alguns casos, a existência de proto-palavras. Por proto-palavras entende-se a utilização consistente, por parte da criança, de uma cadeia fónica para designar um objecto ou uma situação, sem correspondência ao léxico do adulto. È também nesta altura que se regista a ocorrência de sequencias de sons com variações de acentuação e padrões de entoação diversificados.

Após esta fase aparecem as primeiras palavras, sendo que para muitos autores é nesta fase que acaba o período pré-linguístico e começa o período linguístico.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Estimulação da expressão verbal





- Aceitar todas as vocalizações com intenção que a criança apresente.

- Estimular a criança a produzir cada vez mais sons e palavras, através das produções corretas do adulto.

- Devem ser verbalizadas todas as atividades que forem sendo realizadas no dia-a-dia da criança.

-Com base numa palavra que a criança diga, formular uma frase simples e com mais vocabulário (Ex: a criança diz “mãe” quando vê o carro da mãe – deve-se responder “É o carro da mãe”)

- Evitar aceitar os gestos ou os sons que a criança diga em vez da palavra (exigir a produção oral – quer por repetição, quer espontaneamente - uma única vez por gesto ou som produzido).

-Pedir à criança para ser ela a contar os contos ouvidos e situações vividas por ela.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Como estimular a linguagem compreensiva

ESTIMULAÇÃO DA COMPREENSÃO VERBAL


- Estabelecer uma relação privilegiada de face-a-face.

- Pedir à criança para cumprir ordens: dá, põe e tira.

- Pedir à criança para identificar os seus familiares pessoalmente e depois em fotografias. (Ex: Onde está a mãe?)

- Pedir à criança para mostrar algumas das partes do seu corpo. (Ex: Onde estão os olhos?; Onde está o nariz?)

- Mostrar alguns objetos e pedir à criança para os identificar. (Ex: Onde está o carro?)

- Fazer o mesmo com animais e pessoas. (Ex: Onde está o gato?; Onde está o bebé/a menino?)

- Pedir à criança que cumpra pequenas ordens com objetos do seu dia-dia. (Ex: Põe o bebé na cama; Põe a bola dentro do copo...)

-Pedir à criança que identifique objetos pela sua função. (Ex:o que é que calçamos...)

- Pedir à criança que identifique pessoas e animais pelos seus atributos. (Ex: Que animal ladra?)

- Pedir à criança que emparceire e depois identifique cores, tamanhos, posições e negativas. (Ex: Qual o que não é menino?; Dá-me todos os animais menos o cão.)

- Apresentar com clareza os elementos linguísticos que a criança necessita.

- Evitar condutas contraproducentes (ex: imitação e produções incorretas).