Bem - Vindo ao Meu Espaço

Olá a todos!

Sou terapeuta da fala desde 2008 e desde então que exerço o que para mim é a melhor profissão do mundo!

Trabalho em diferentes contextos:

🏡Domiciliar (grande Porto);

💻Sessões por videochamada;

🏣Clínica;

Sou uma profissional em constante formação. Sou mestre em psicopatologia da comunicação e linguagem, pós-graduada em comunicação, linguagem e fala e formada nos 3 níveis de processamento auditivo central. Além disso, participo em várias formações de curta duração nas temáticas da linguagem oral e escrita, em perturbações dos sons da fala e autismo.

A minha grande paixão é a área da linguagem oral e escrita e por isso participo regularmente em formações para educadoras de infância e professores do 1º ciclo.

Neste blog poderá consultar os principais sinais que poderão requerer uma intervenção profissional, bem como os métodos e soluções atualmente utilizadas no âmbito da Terapia da Fala.

Se tiver alguma dúvida ou desejar marcar uma consulta de avaliação, não hesite em contactar-me. 📩

Mostrar mensagens com a etiqueta Terapia da Fala. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Terapia da Fala. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 20 de março de 2014

Corte no subsidio para alunos com necessidades especiais




Face aos recentes acontecimentos relacionados com o protocolo celebrado entre o Instituto da Segurança Social e a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, gostaria de partilhar a minha experiência profissional. Sou Terapeuta da Fala e trabalho numa clínica psicopedagógica. Todos os casos de crianças, com atestado médico comprovativo da necessidade do apoio especializado e provenientes de agregados familiares de muitos baixos rendimentos, estão com as terapias suspensas por indeferimento ao abrigo do protocolo acima referido. Muitos destes casos são renovações de processos que se iniciaram no ano lectivo anterior, tendo decorrido nesse ano dentro da devida normalidade e legalidade.SUBSÍDIO POR FREQUÊNCIA DE ESTABELECIMENTO DE EDUCAÇÃO ESPECIALLEGISLAÇÃO: Decreto Regulamentar n.º 14/81, de 7 de ABRILDecreto-Lei n.º 170/80, de 29 de MaioDecreto-Lei n.º 133-B/97, de 30 de MAIODecreto–Lei n.º 133-C/97, de 30 de MAIODecreto Regulamentar n.º 24-A/97, de 30 de MAIO

O QUE É?Prestação pecuniária mensal de montante destinada a compensar os encargos económicos com o apoio ou educação específica das crianças ou jovens portadores de deficiência titulares do subsídio familiar a crianças e jovens, até aos 24 anos.QUEM TEM DIREITO?Atribuído aos descendentes, portadores de deficiência, com idade inferior a 24 anos, que se encontrem numa das seguintes situações:• Frequentem estabelecimentos de educação especial, particulares, com ou sem fins lucrativos ou cooperativos, tutelados pelo Ministério de Educação e que impliquem o pagamento de mensalidade;• Necessitem de frequentar estabelecimento particular de ensino regular, após a frequência do ensino especial;• Necessitem de apoio individualizado, pedagógico ou terapêutico específico, adequado à deficiência de que são portadoras;• Frequentem creche ou jardim de infância normal como meio específico de superar a deficiência e de obter, mais rapidamente, a integração social. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS:• Requerimento do encarregado de educação ou de quem o substitua, em impresso próprio da Seg. Social (entregue até um mês antes do início de cada ano lectivo);• Prova de matrícula, no caso de frequência de estabelecimento de ensino;•  Declaração de inscrição do estabelecimento pedagógico, referindo o valor da mensalidade;• Declaração de médico especialista que comprove o tipo de deficiência: física, motora, orgânica, sensorial ou intelectual;• Declaração das receitas ilíquidas do agregado familiar;• Prova da despesa anual com a habitação;• Declaração da entidade patronal do encarregado de educação, de não atribuição de subsídio com idêntico fim ou, no caso positivo, qual o seu valor;• Outros documentos exigidos pelo Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social da área da residência. Podem consultar toda a informação no website da Segurança Social:http://www4.seg-social.pt/subsidio-por-frequencia-de-estabelecimento-de-educacao-especial Numa manobra política de ilegalidade a referida legislação não tem sido cumprida pelo Governo, apesar dos desmentidos na comunicação social pelo Ministro Mota Soares.Além da ilegalidade e da demagogia habitual da classe política, escandaliza-me a falta de ética e a quebra de deontologia e sigilo profissional, uma vez que os processos das crianças com atestados médicos e que deveriam ser verificados pela Segurança Social, andam a transitar, sem autorização dos interessados e dos respectivos encarregados e educação e médicos, para os agrupamentos escolares, onde algum técnico ou professor indefere os respectivos processos.O futuro destas crianças esta a ser comprometido pois sem as respectivas terapias a probabilidade de aproveitamento escolar é muito reduzido, aumentando no futuro os encargos sociais em virtude do seu insucesso.Uma vez mais testemunhamos uma medida de injustiça social e de aumento da diferença de classes por parte deste Executivo que permanece impune no claro incumprimento da LEI.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Aprender a Falar



Não há duas crianças iguais, dizem educadores, pediatras e sabem os pais, tios e avós. Há miúdos que começam a andar mais cedo, outros que falam mais tarde. Reagir precocemente ajuda, quando aparecem os primeiros sinais de alerta.

A Marta foi a primeira filha, a primeira neta e a primeira sobrinha na família. Recebia todas as atenções e nunca teve dificuldade em fazer-se entender – mesmo quando, já depois dos dois anos, ainda não conseguia verbalizar bem o que queria. «Era uma criança rodeada de adultos que a compreendiam, muito apaparicada», conta a mãe, Helena Agostinho. «Toda a gente achava muita graça à forma como ela falava e dizia cui em vez de leite ou repetia totinho para pedir a história do capuchinho vermelho».

Helena corrigia sem grande sucesso as palavras da filha e ia recebendo do médico e das educadoras a mesma resposta: «Não se preocupe!». Só que o tempo foi passando, a Marta cresceu, teve que mudar de escola e integrar uma turma de meninos já com mais de três anos, e, um dia, a professora fez um comentário que fez soar o alarme. «Ela às vezes quer brincar a uma determinada coisa com os outros meninos, mas como não consegue exprimir-se, os outros desinteressam-se», contou-lhe.

Foi o suficiente para Helena Agostinho, que tem formação em Psicologia, marcar uma consulta de desenvolvimento no Hospital de Santo André, em Leiria, onde vive a família. O diagnóstico veio confirmar as suas suspeitas de que qualquer coisa não estava bem. A Marta compreendia tudo e não sofria de nenhuma perturbação cognitiva, mas tinha problemas na articulação dos sons e palavras: precisava de terapia da fala.

TERAPIA MAIS DO QUE DA FALA

A terapia da fala pode ser útil em qualquer idade e é utilizada com objectivos tão diferentes como o desenvolvimento do instinto de sucção de um bebé prematuro, a promoção da comunicação numa criança com autismo ou a recuperação da fala de um adulto que sofreu um AVC. Abrange áreas muito diversas. «O terapeuta intervém ao nível da linguagem, da fala, da voz, da motricidade orofacial e das dificuldades de aprendizagem de leitura e da escrita», explica Ângela Nogueira, terapeuta no centro Diferenças, em Lisboa.

Nas crianças, as dificuldades no desenvolvimento da linguagem (compreensão e expressão) podem mostrar-se muito cedo – aos seis meses, um bebé já deverá reagir aos sons e ao contacto ocular (ver quadro anexo). Mas é sobretudo a partir dos dois anos que incidem as preocupações paternas, por ser nessa altura que a maioria dos miúdos inicia a verbalização e a pressão social começa a fazer-se sentir. «O que é que ele já diz?», perguntam todos.

«Em média, as crianças dizem as primeiras palavras aos 18 meses. Começam por mamã, papá, agum ou aba para água, etc.... sabem o nome do ursinho ou o nome da avó, do cão, do gato», confirma a terapeuta da fala Jaqueline Carmona, do CADIN, Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, em Cascais, especializada em casos de disfluência (gaguez). Fala-se, contudo, no desenvolvimento considerado típico com base em dados estatísticos. «Não há dois irmãos que falem igual, nem sequer dois irmãos gémeos», alerta a terapeuta.

Os miúdos evoluem de uma forma progressiva, mas nem sempre linear. «É muito vulgar surpreenderem-nos, especialmente quando há uma interrupção, mesmo curta como acontece na Páscoa. Às vezes, basta uma mudança de ambiente, uns dias com os pais, para darem um salto, desabrocharem», garante a educadora de infância Ana Paulino Jorge. Além disso, «em termos de desenvolvimento linguístico, estar seis meses atrás do esperado não é grave», acrescenta Jaqueline Carmona. Por isso, nem sempre é fácil saber quais são os sinais de preocupação e como e quando se deve agir.

PREGUIÇA OU PROBLEMA?

O Manuel, hoje com seis anos, foi desde bebé um miúdo muito dado, sem qualquer problema em fazer-se entender, no diálogo com os crescidos ou com outros miúdos. Aos dois usava um vocabulário próprio e utilizava com mestria e graça sons e gestos para comunicar – e assim continuou até perto dos quatro anos.

A mãe, Ana Alcoforado, dava o benefício da dúvida e esforçava-se por acreditar no que todos lhe diziam: «vai ver que, de um dia para o outro, ele começa a falar». Mas manteve-se atenta. «O Manuel não era um miúdo que aumentasse o som da televisão para ouvir melhor, eu não precisava de o chamar duas vezes e não tinha indícios de abstracção ou isolamento perante a realidade», explica. Um encefalograma e os testes de otorrino nada apontaram e foi por sugestão da directora do colégio que frequenta, em Sintra, que o Manuel fez a primeira avaliação e iniciou a terapia da fala aos três anos e meio. Na consulta de pediatria dos quatro anos confirmou-se que o Manuel estava a ter problemas na aquisição linguística, foi a uma consulta de desenvolvimento e passou a ser acompanhado pela terapeuta Ângela Nogueira no centro Diferenças. «Estas consultas deviam fazer parte do plano nacional de saúde, até para os pais saberem quando devem preocupar-se ou não», diz hoje Ana Alcoforado. «A preguiça às vezes serve de desculpa para coisas a mais», lamenta.

A reacção do Manuel à terapia, que incluía apoio psicopedagógico, foi imediata. «O salto foi gigantesco neste último ano e meio», garante a mãe. Toda a família se envolveu nos trabalhos de casa e treino dos exercícios sugeridos pela terapeuta – sempre com entusiasmo, bom humor e «sem fazer disso um cavalo de batalha», para evitar a saturação. O Manuel iniciou em Setembro o primeiro ciclo do ensino básico e não sabe ainda quando terminará a terapia da fala. «Ele tem também um palato pequenino e um pragmatismo ligeiro que vai ser corrigido com um aparelho. Se não fosse isso, penso até que já teria tido alta antes», diz Ana.

SINAIS DE ALARME

«A aquisição tardia da linguagem e a prevalência de produções verbais incorrectas (erros na articulação dos sons, omissão de sílabas na palavra, etc) podem ter consequências nas futuras aprendizagens escolares da leitura e da escrita», afirma a terapeuta Ângela Nogueira. Adriana Vieira, professora do primeiro ciclo do ensino básico concorda. «A maioria dos casos é sinalizada no ensino pré-escolar. Mas há miúdos que se perdem em burocracias [uma consulta de desenvolvimento no serviço público pode demorar três a seis meses], outros que os pais acham que é mimo ou tique de fala até chegarem ao primeiro ciclo e perceberem que o problema está a comprometer a leitura», explica.

«Há uma variabilidade individual, mas é muito importante que a família, os professores e pediatras valorizem as idades normais para uma determinada aquisição linguística», diz Ângela Nogueira. Até porque, sublinha Adriana Vieira, os atrasos no desenvolvimento da linguagem graves acabam por afectar a relação social da criança, por prejudicar a sua auto-estima e chegam a levar a comportamentos desviantes para chamar a atenção. «Não conseguir comunicar é muito complicado. É como cair na China de repente e querer dizer alguma coisa sem saber chinês», exemplifica Jaqueline Carmona.

«No desenvolvimento da linguagem, a criança passa por várias etapas em diferentes idades, adquirindo novos conhecimentos linguísticos», lembra Ana Mafalda Filipe, terapeuta da fala do projecto Crescer e Aprender, localizado em Oeiras. Os sinais de alerta surgem quando um miúdo se mantém demasiado tempo na mesma etapa sem conseguir avançar.

Aos dois anos, poderá ser preocupante a criança não falar, só produzir vogais, não usar ainda palavras ou frases simples, não nomear, não usar gestos. Aos três, a incapacidade de produzir uma frase, compreender um recado ou desenvolver um conceito numérico pode ser problemática – mas ainda não é exigível que pronuncie correctamente os «lhe» e os «r», por exemplo. E um discurso ininteligível ou a dificuldade em iniciar uma frase ou repetir sílabas, já com quatro anos feitos, pode significar necessidade de terapia.

UM CASO EXEMPLAR

Maria do Carmo Vale, pediatra, considera que «a partir dos dois, três anos, mesmo que a criança mostre entender o que lhe dizem e se expresse gestualmente, deve ser avaliada por um terapeuta» para confirmar se existe imaturidade ou não. «É importante frisar que o diagnóstico precoce é fundamental e se existem dúvidas é sempre melhor fazer uma avaliação para as conseguir esclarecer do que ignorá-las», reforça Ana Mafalda Filipe. Nem sempre é fácil, como bem sabe Helena Domingues, que se multiplicou em pesquisas e consultas para ajudar o filho David, hoje com nove anos. Mas o resultado pode ser deveras compensador.

O David começou por dizer mamã e papá e, um dia, deixou de falar. Era um miúdo carregado de frustração, que chorava muito, fazia birras, tinha crises de agressividade, passou por fases em que recusava a comida e gritava sempre que alguém o fazia entrar num restaurante ou num autocarro cheio de gente. Só o nunca desviar o olhar e as comprovadas tentativas de comunicação afastavam o diagnóstico de autismo.

Às consultas de pedopsiquiatria, juntaram-se duas horas semanais de psicomotricidade e de terapia da fala – aos três anos. «O David fez um ano de terapia sem dizer uma palavra, mas isso não queria dizer que o seu cérebro não estivesse a aprender os mecanismos da fala. Um dia, ele disse uma palavra, depois outra», conta a mãe emocionada. E foi ficando mais concentrado, mais receptivo.

Helena deixou de trabalhar – fazia só umas horas numa loja de brinquedos quase como terapia – para poder acompanhar o David na sua super ocupada rotina e ao mesmo tempo dar atenção aos dois filhos mais velhos, um deles hiperactivo. Não foi fácil e monetariamente as opções que foi tomando têm sido pesadas – «mesmo com as comparticipações do seguro, acho que dava para comprar um carro todos os anos», diz com um meio sorriso. Mas «esta é uma fase muito importante de um filho, em que se tem de fazer tudo o que possa ser feito. Existe um período biológico para se aprender a falar, há um prazo de validade e quanto mais tarde se começa a trabalhar, pior», repete. Sente-se realizada com o facto de o David, que é medicado e faz terapia de fala semanalmente, ser um miúdo feliz, aluno de Bom e Muito Bom. E é com um riso genuíno que reage à frase que o David diz com humor de cada vez que se engana numa frase: «Ai, este cérebro estúpido que não sabe dizer esta palavra bem!».


COMO FALA O MEU FILHO?

Do nascimento aos 6 meses
 O seu bebé reage a sons, olha e/ou move a cabeça em direcção ao som
 Produz sons
 Fale com o seu bebé de modo calmo e carinhoso
 Cante para ele
 Explique-lhe os sons que ouve
 Nomeie as pessoas familiares e os objectos que o rodeiam
 Converse com ele sobre o que está a fazer

Procure ajuda
 Observe se o seu bebé reage a sons, se não consulte o seu médico
 Procure ajuda se ele evita o contacto ocular – base da comunicação

Aos 12 meses

 Compreende ordens simples
 Diz ‘mamã’ e ‘papá’
 Responde ao seu nome
 Brinque com a sua voz, o seu bebé irá gostar: a melodia da fala ajuda-o a compreender e a desenvolver a linguagem de modo efectivo.
 Ajude o seu bebé a descobrir o prazer da comunicação: incentive todo o tipo de interacção – fazer caretas, sorrir, rir, olhar…
 Nesta fase do desenvolvimento a TV não tem qualquer valor para um bebé
 Não o deixe à frente da TV durante muito tempo, não promove a comunicação!

Procure ajuda
 Se o seu filho não disser algumas palavras
 Se o seu filho apenas comunicar com gestos e mímica
Aos 18 meses
 Compreende instruções simples
 Nomeia objectos familiares
 O vocabulário aumenta
 Fale com o seu bebé, utilize palavras e frases simples, mas não infantilizadas
 Mostre-lhe livros e fale com ele sobre os mesmos
 Estimule o interesse por cores e formas

Procure ajuda
 Se o seu filho deixar de falar
 Se a sua linguagem parar de se desenvolver
 Se revelar sinais de deterioração

Aos 2 anos
 Compreende instruções complexas
 Diz o seu nome
 Faz frases de 2-3 palavras
 Enriqueça o seu vocabulário
 Explique-lhe as palavras que desconhece
 Repita as palavras que ele não pronuncia, mas não lhe peça para repetir

Procure ajuda

 Se tem a sensação que o seu filho não a compreende
 Se o seu filho disser apenas algumas palavras
 Se o seu discurso for ininteligível
 Se não produzir frases de 2 palavras

Aos 3 anos
 Compreende frases simples, pequenas histórias
 Faz perguntas
 Utiliza alguns plurais e preposições
 Ensine o seu filho a contar histórias, ajude-o a entender os seus pensamentos e sentimentos
 Encoraje-o a deixar de usar o biberão e/ou chupeta

Procure ajuda
 Se a fala permanece ininteligível
 Se usa apenas alguns verbos e não produz artigos e adjectivos
 Se não utiliza plurais
 Se não constrói frases simples

Aos 4 anos
 A fala do seu filho é ‘semelhante’ à do adulto em termos de gramática
 Leiam histórias em conjunto, à vez vão
contando a história, deste modo estimula
uma atitude positiva para com a linguagem
e para com a leitura
 As crianças seguem exemplos, deixe que
ele a veja ler

Procure ajuda
 Se para o seu filho é difícil iniciar uma
frase ou repetir sílabas/palavras
 Se constrói apenas frases curtas,
mal estruturadas
 Se o seu discurso nem sempre é inteligível
 Se ele não for capaz de recontar acontecimentos


Revista: Pais e filhos
http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/2178-aprender-a-falar?fb_action_ids=10201220612189720&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B673510622668425%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Prematuridade



Hoje é o dia mundial da prematuridade, 17 de Novembro e por isso recolhi algumas informações sobre os bebés prematuros e o seu desenvolvimento e como o Terapeuta da Fala os poe auxiliar na primeira fase da vida destas crianças

O bebé que nasce com menos de 37 semanas de gestação (36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro, ou pré-termo. 

O prematuro pode ser classificado de acordo com a idade gestacional, sendo o prematuro limítrofe aquele nascido entre 37 e 38 semanas; moderado nascido entre 31 e 36 semanas e prematuro extremo aquele nascido entre 24 e 30 semanas de idade gestacional.

Quanto ao peso de nascimento, denomina-se os bebês com menos de 2kg como baixo peso, muito baixo peso os com menos de 1,5kg e extremo baixo peso aqueles com peso menor que 1kg.

Características do prematuro:

  • Geralmente tem baixo peso ao nascer
  •  Pele fina, brilhante e rosada
  • Veias visíveis
  • Pouca gordura sob a pele
  •  Pouco cabelo
  • Orelhas finas e moles
  •  Cabeça desproporcionalmente maior do que o corpo;
  •  Musculatura fraca e pouca atividade corporal;
  • Poucos reflexos de sucção e deglutição
Causas do parto prematuro:
  • Gravidez múltipla;
  • Idade avançada da mão;
  • Problemas genéticos;
  • Excesso de líquido amniótico;
  • Excesso de esforço;
  • Alterações placentárias;
  • Infecções;
  • ....
Problemas que podem surgir em crianças prematuras :

  • Problemas respiratórios, cardiovasculares, digestivos e neurológicos;
  • Infecções; 
  • Paralisia cerebral;
  • Deficiência auditiva e/ou visual;
  • Problemas de aprendizagem;
  • Atrasos de desenvolvimento da linguagem;
  • ...
Terapeuta da Fala e crianças prematuras:
  •  Incoordenação de sucção e deglutição; 
  • Utilização de sonda gástrica; 
  • Sucção fraca; 
  • Falhas respiratórias e /ou durante a alimentação;
  •  Reflexo de vómito exagerado e episódios de tosse durante alimentação; 
  •  Irritabilidade severa ou problemas comportamentais durante a alimentação; 
  • subnutrição; 
  • História de pneumonias; quando existir preocupação com aspiração;
  •  letargia durante a alimentação;
  •  Período de alimentação mais longo que 30 – 40 min;
  •  Vómitos, refluxo nasal, refluxo gastroesofágico; 











sexta-feira, 12 de julho de 2013

Atuação do terapeuta da fala na deficiência auditiva


A surdez é uma condição de privação sensorial que mesmo sendo detectada precocemente por especialistas, acarreta uma restrição no desenvolvimento da criança, tanto no que se refere aos aspectos afectivos (com a mãe) e sociais (informações do meio em que vive), como também nos seus aspectos linguísticos (falta ou demora na aquisição de uma língua), levando a prejuízos nos processos de integração social, comunicação e no próprio desenvolvimento de linguagem. O atraso de linguagem por sua vez, pode levar a dificuldades em determinadas áreas da cognição, de aprendizagem e nas suas relações sociais e emocionais.

Os diferentes graus de perdas auditivas (leve, moderada, severa e profunda), são necessariamente factores determinantes em relação às consequências no desenvolvimento da criança e obrigarão à actuação do terapeuta da fala.

O papel do terapeuta da fala em relação à criança deficiente auditiva abrange tanto a área da saúde como a área educacional.

Os principais objectivos da terapia da criança surda visam o desenvolvimento da oralidade (englobando fala e voz) e a aquisição da linguagem, levando-se em conta o facto da surdez ter surgido no período pré ou pós linguístico. Sabendo-se disto, serão definidos mais especificamente os objectivos da terapia com a pessoa portadora de deficiência auditiva.

Verificam-se as seguintes alterações:

  •  Voz:: Alteração das qualidades vocais pela ausência de feed-back auditivo.
  • Fala: Alteração miofuncional dos órgãos fono-articulatórios, ocasionada pelo pouco ou nenhum uso destes para a fala, prejudicando desta forma a produção adequada dos fonemas da língua..
  • Linguagem: Atraso dos processos linguísticos e/ou cognitivos devido a falta ou demora na exposição e aquisição de uma Língua.

Planeamento Terapêutico deve envolver os seguintes aspetos aspetos
:
*Educação auditiva: Detecção, discriminação, memória e análise e síntese auditiva dos diferentes sons, com utilização do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI).

*   Articulação: Desenvolver actividades que pretendam desenvolver a percepção fonémica/fonológica da língua  através de estímulos auditivos, visuais, tácteis, cinestésicos e o desenvolvimento da leitura oro-facial, de acordo com a metodologia.

*   Voz: Proporcionar um melhor controlo e produção oral através da adequação do registo vocal, timbre, intensidade e duração da vocalização.

*   Linguagem: A estimulação da fala e da linguagem deve ser vivenciada em situações contextualizadas, interessantes para o surdo e nas quais seja privilegiada a função e o uso da oralidade. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Respiração oral e Terapia da Fala


A respiração nasal é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequado do complexo craniofacial do indivíduo, ao promover o funcionamento adequado das restantes funções estomatognáticas.  As principais funções do nariz são: filtração, aquecimento e umidificação do ar inspirado. A filtração do ar e a proteção das vias aéreas inferiores são realizadas pelos pelos, função ciliar e ação química bactericida do muco. Os cornetos nasais, são uma das partes internas do nariz, regulam o fluxo respiratório com o aumento do seu volume. O aquecimento do ar é garantido pela irrigação de calor e a umidificação é fornecida pelo contato do ar com o líquido seroso existente na cavidade nasal, com a secreção lacrimal e com o muco que adere partículas estranhas. Essas funções condicionam o ar que chega aos pulmões.

Apesar de todas as vantagens referidas anteriormente e a tendência fisiológica para a respiração nasal, nem sempre é possível que esta ocorra principalmente durante a infância.



As principais causas da respiração oral e mista são as seguintes:
  •  Desvio do septo nasal;
  • Hipertrofia das amígdalas,  adenoides e cornetos nasais;
  • Rinite alérgica;
  • Sinusite;


A obstrução nasal determina a respiração oral, isto porque a respiração nasal não é eficaz por isso é necessário arranjar uma alternativa. Este tipo de respiração poderá trazer em alguns casos crónicos, alterações morfológicas da coluna vertebral, do esqueleto facial, do palato e das arcadas dentárias. Com a diminuição do espaço transversal da maxila, as fossas nasais perdem em largura. Com o aumento da profundidade do palato, as fossas nasais perdem em altura, o que torna a respiração nasal mais complicada.

Algumas alterações que ocorrem nos respiradores orais:
  1.               Diminuição do paladar do olfato;
  2.   Menor rendimento físico e intelectual;
  3.  Cansaço frequente;
  4. Agitação, ansiedade;
  5.  Baba noturna;
  6.   Preferência por alimentos pastosos;
  7.  Mastigação ineficiente;
  8.   Deglutição atípica e com ruído;
  9.   Imprecisão articulatória;
  10. Face alongada;
  11.  Lábios constantemente entre abertos;
  12.   Lábios secos e com cor alterada;
  13.  Gengivite;
  14. Tendência à formação de caries;
  15. Alterações de oclusão;
  16. Palato (céu da boca) fundo e estreito;
  17. Tensão do músculo do queixo;
  18. Apinhamento dentário;
  19. Alterações na articulação temperomandibular (ATM);
  20.  (…)


Um indivíduo com respiração oral não tem que apresentar todas estas alterações. Habitualmente apresenta algumas destas alterações mas o mesmo individuo não apresenta todas as alterações descritas em cima.


Respiração oral e a Terapia da Fala

O respirador oral necessita de uma abordagem multidisciplinar, é necessário uma equipa de vários profissionais: pediatra, otorrinolaringologista, terapeuta da fala, dentista entre outros profissionais dependendo do caso. Antes do Terapeuta da Fala iniciar a intervenção com estas crianças esta deve ser avaliada pelo otorrinolaringologista, para este descartar alguma causa orgânica, pois se existir é necessário resolver (amigdalectomia, adenoidectomia…). Depois da causa orgânica estar resolvida muitas vezes o paciente continua a ser respirador oral, não por uma obstrução nasal, mas sim pelo hábito.

Neste caso o Terapeuta da Fala, como é o profissional responsável pela motricidade orofacial e tem como principal objetivos propiciar a harmonia das funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção), promovendo um equilíbrio miofuncional. Então, o Terapeuta da Fala tem um papel importante na reabilitação dos respiradores orais.
O tratamento do respirador bucal, baseia-se na reeducação da musculatura oral, pois se não o hábito residual poderá persistir. Assim, segundo Marchezan (1994) refere ser a terapia o foco para a aprendizagem do "uso do nariz", sem esquecer que se deve orientar sempre a família.
A primeira etapa do tratamento é de esclarecer ao paciente e à sua família o que é a respiração oral, mostrando os padrões adequados. Portanto, trabalha-se a consciencialização, para depois se trabalhar o sistema sensório motor oral e as funções do sistema estomatognático, respeitando sempre a individualidade do paciente. São utilizados pelo o terapeuta da fala inúmeros métodos para trabalhar todas as falhas destes pacientes.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Perturbação fonética vs Perturbação fonológica


Uma das perturbações mais comuns em crianças são as alterações na produção dos sons da fala (fonemas). Esta é principal causa que leva os pais a uma avaliação do seu filho em Terapia da fala. Muitas vezes a criança com 4/5 anos apenas omite o fonema /l/ (lápis, papel, cola), noutros casos a criança substitui e omite muitos fonemas o que torna o seu discurso ininteligível.
Existem dois tipos de perturbações que as crianças ou mesmo adulto não articulam corretamente os sons da língua, que muitas vezes são confundidas e na realidade têm tempo de intervenção muito diferentes.

 Perturbação fonética
Neste tipo de perturbação os erros que os pacientes cometem são consistentes, isto é, ocorrem sempre da mesma forma, são previsíveis (ex. a criança nunca articula o som /l/.. ou distorce o som /s/).
O paciente apenas apresenta dificuldade em articular determinados fonemas. Pois ele sabe que o fonema existe mas não o consegue articular corretamente. Muitas vezes estas dificuldades articulatórias têm uma origem anatómica, isto é, as estruturas fonoarticulatórios apresentam alguma alteração (má oclusão dentaria, freio da língua curto). Nesses casos é bom perceber qual é o problema que está subjacente ao problema articulatório. Mas nem em todos os casos de perturbação fonética existe alguma alteração a nível anatómico.
Estas perturbações normalmente têm um tempo de intervenção mais rápido, pois o paciente tem consciência do som, só necessita de aprender a articula-lo corretamente e depois automatizar no seu discurso espontâneo.
Atualmente, acompanho 2 pacientes com este tipo de perturbação, num dos casos a criança tem 6 anos e não articula o fonema /r/ em nenhuma posição da palavra (cara, comer, prato, carne). Portanto, omite este som o que faz que também omita este som quando está a ler um texto, foi neste momento que o ‘professor percebeu e indicou que a criança tivesse intervenção em Terapia da Fala. Neste caso a criança deveria ter iniciado a terapia antes de ter iniciado o ensino básico.

Perturbação fonológicos
Considera-se uma perturbação fonológica quando os erros que o paciente apresenta não são consistentes, isto é, quando não ocorrem sempre da mesma forma. (diz /saca/ em vez de /faca/ e diz /cama/ em vez de /fama/, por isso não articula o som /f/ mas substitui o /f/ por sons diferentes).
A perturbação fonológica é considerada um problema de linguagem, manifestado pelo uso ina­dequado, observado na fala, das regras fonológicas características do sistema usado pelos falantes adultos da língua. Uma alteração na aquisição fonológica indica dificuldades potenciais a diversos níveis, como a discriminação de sons, o reconhecimento de contrastes fonológicos (ex. f/v) e das representações desses contrastes no léxico (ex.faca/vaca), a modi­ficação dos sons que são padrões na fala, em razão do uso inadequado das regras fonológicas e a arti­culação imprecisa, entre outros fatores.
A perturbação fonológica é manifestada pela severidade e ininteligibilidade da fala em graus va­riáveis, causada por problemas de fala com indi­cação de terapia da fala.

Características fonológicas

A maioria das crianças com distúrbios fonológicos têm um sistema fonológico semelhante ao das crianças que não têm este problema, em alguns casos também podem apresentar processos fonológicos que não são observados regularmente durante o desenvolvimento. É preciso destacar que se espera uma certa sequência e velocidade no desenvolvimento fonológico, embora cada criança desenvolva a sua linguagem de uma forma particular.
Muitas vezes, as crianças com este tipo de perturbações têm um sistema fonológico que obedece a regras que nem sempre são as previstas na língua. Portanto, possuem várias limitações no uso das re­gras fonológicas e não formam um grupo unifor­me. A maior parte das crianças com distúrbio fonológico usa processos fonológicos semelhantes aos da criança em desenvolvimento típico, mas também pode usar processos únicos e que não são comuns no desenvolvimento. O uso de processos idiossincráticos (não obser­vados no desenvolvimento típico) pelas crianças com distúrbio fonológico é pequeno tanto no número de ocorrências quanto no número de crianças que o apresentam. Além disso, os sujeitos que utilizam pro­cessos fonológicos idiossincráticos fazem- no de forma conjunta com os processos fonológicos de desenvolvimento.
Uma das principais preocupações dos terapeutas da fala é a grande possibilidade das crianças com diagnóstico tardio de perturbação fonológica apresentarem dificuldades no processo de alfabetização. O encaminhamento precoce para o terapeuta da fala diminui o risco de ocorrência de dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita, as quais estão diretamente relacionadas ao processamento fonológico, que envolve a consciência fonológica.
Atualmente, acompanho diversos casos de perturbações fonológicas, sendo que umas são bastante mais graves que outras. Nestes casos as crianças normalmente conseguem articular corretamente todos os sons do Português, mas não os utilizam no local correto. O exemplo de algumas palavras de uma criança que acompanho com 5 anos /neca/ em vez de /mesa/, /paiaco/ em vez de /palhaço/, /choada/ em vez de /joana/, /nado/ em vez de /dado/, /naiz/ em vez de /nariz/, /gato/ em vez de /rato/….).


Normalmente o tempo de acompanhamento terapêutico é bastante mais prolongado em crianças com este diagnóstico comparativamente com as crianças com perturbações fonéticas. Isto acontece porque na intervenção é necessário trabalhar a reeducação so sistema fonológico (exercícios de discriminação auditiva, memória auditiva, consciência fonológica) e depois é necessário um processo de automatização dos fonemas nos locais corretos. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reabilitação vocal em laringectomizados totais


O objectivos da reabilitação vocal após uma laringectomia total é a restauração da comunicação oral do indivíduo, permitindo que ele se reintegre nas suas funções sociais e, sempre que possível, na sua vida profissional. (Behlau et al, 2005)
Para isso existem 3 possibilidades:
  • Uso de prótese electrónica — Laringe electrónica;
  • Voz esofágica;
  •  Uso de prótese fonatória — Voz traqueoesofágica

Importa realçar que qualquer que seja a opção de reabilitação, para além da questão vocal propriamente dita, o terapeuta da fala deverá também trabalhar os aspectos articulatório dos sons da fala, em função da qualidade vocal do indivíduo laringectomizado total. (Lourenço, 1999, cf. Behlau et al, 2005)

Comunicação com voz traqueoesofágica

As dificuldades encontradas em numerosos doentes para conseguir a voz esofágica e as limitações sociais que tal provocava, levaram a que alguns médicos e terapeutas criassem novas soluções para o problema.

Assim, actualmente, as próteses fonatórias além de serem uma alternativa de comunicação após a laringectomia total, podem ser indicadas nos casos de insucesso da voz esofágica.
Estas próteses consistem numa válvula unidireccional. Para inseri-las é necessário que se efectue cirurgicamente uma fístula traqueoesofágica.

Denomina-se voz traqueoesofágica em função do uso do ar que é desviado da traqueia para o esófago.
A voz é produzida pelo bloqueio digital da saída do ar pulmonar pelo traqueostoma, direccionando, assim, o ar expiratório para a fístula que, por sua vez, o conduz ao esófago, a partir de onde será trabalhado pelos articuladores e ressoadores do aparelho fonador.

A emissão é bastante semelhante à de um excelente falante esofágico, com a vantagem da utilização do ar pulmonar, o que favorece um tempo de emissão mais longo, semelhante aos falantes normais.

Há maior encadeamento da fala e melhor inteligibilidade.

A criação da fístula traqueoesofágica pode ser realizada no momento da laringectomia total — procedimento primário; ou após a cirurgia, num segundo momento — procedimento secundário.

A produção vocal é praticamente imediata, sendo que a qualidade vocal e as habilidades gerais de comunicação melhoram com a prática.


Vantagens:
- Maior rapidez no restabelecimento da comunicação sonora,
- A frase tem o mesmo comprimento que o conseguido com a voz laríngea,
- Possibilidade de falar ao telefone,
- A voz produzida é grave podendo confundir-se com uma voz disfónica,


Desvantagens:
- A escolha de uma prótese de manipulação própria exige um bom controlo manual e visual, assim como a aceitação desse manuseamento
- As outras próteses tornam o doente totalmente dependente do médico quando a substituição se torna necessária (porque a pataleta que auxilia a sua introdução é cortada). (Behlau e tal,2005)



terça-feira, 30 de abril de 2013

Atuação do Terapeuta da fala em crianças surdas



A surdez é uma condição de privação sensorial que mesmo sendo detectada precocemente por especialistas, acarreta uma restrição no desenvolvimento da criança, tanto no que se refere aos aspectos afectivos (com a mãe) e sociais (informações do meio em que vive), como também nos seus aspectos linguísticos (falta ou demora na aquisição de uma língua), levando a prejuízos nos processos de integração social, comunicação e no próprio desenvolvimento de linguagem. O atraso de linguagem por sua vez, pode levar a dificuldades em determinadas áreas da cognição, de aprendizagem e nas suas relações sociais e emocionais.

Os diferentes graus de perdas auditivas (leve, moderada, severa e profunda), são necessariamente factores determinantes em relação às consequências no desenvolvimento da criança e obrigarão à actuação do terapeuta da fala.

O papel do terapeuta da fala em relação à criança deficiente auditiva abrange tanto a área da saúde como a área educacional.

Os principais objectivos da terapia da criança surda visam o desenvolvimento da língua oral (englobando fala e voz) e a aquisição da linguagem, levando-se em conta o facto da surdez ter surgido no período pré ou pós linguístico. Sabendo-se disto, serão definidos mais especificamente os objectivos da terapia com a pessoa portadora de deficiência auditiva.
Verificam-se as seguintes alterações:
Voz
Alteração das qualidades vocais pela ausência de feed-back auditivo.
 
Fala
Alteração miofuncional dos órgãos fono-articulatórios, ocasionada pelo pouco ou nenhum uso destes para a fala, prejudicando desta forma a produção adequada dos fonemas da língua oral.

Linguagem
Atraso dos processos linguísticos e/ou cognitivos devido a falta ou demora na exposição e aquisição de uma Língua.


O Planeamento Terapêutico deve ter os seguintes aspectos fundamentais:
  • Educação auditiva: Detecção, discriminação, memória e análise e síntese auditiva dos diferentes sons, com utilização do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI);
  •   Articulação: Desenvolver actividades que pretendam desenvolver a percepção fonémica/fonológica da língua oral através de estímulos auditivos, visuais, tácteis, cinestésicos e o desenvolvimento da leitura oro-facial, de acordo com a metodologia;
  •  Voz: Proporcionar um melhor controlo e produção oral através da adequação do registo vocal, timbre, intensidade e duração da vocalização;
  •  Linguagem: A estimulação da fala e da linguagem deve ser vivenciada em situações contextualizadas, interessantes para o surdo e nas quais seja privilegiada a função e o uso da Língua Oral;